The Shadow Hunter

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Keep it Simple

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O SURGIMENTO DAS ONDAS

Flat nasceu e cresceu no Grande Oceano, na época em que esse era uma grande e calma lagoa. A harmonia entre eles era muito grande, de modo que um se acostumou com o outro e acabaram se tornando grandes amigos. Flat nadava flutuava e o mar o acompanhava orientando suas marés em função dele. Flat e o Grande Oceano eram como um único ser.

Um dia, durante uma de suas grandes migrações no Grande Oceano, Flat se aproximou do Continente e passou a observá-lo. Dessa vez notou algo diferente: uma bela moça de cabelos ondulados que lhe chamou a atenção. Ondara, filha de pescadores, cantava e dançava sua beleza pela praia quando Flat, curioso, se aproximou. Flat não resistiu à beleza dos cabelos ondulados de Ondara e se apaixonou, paixão essa que foi correspondida. Desse modo Flat passou a ficar muito mais tempo no Continente do que no Grande Oceano, que começou a sentir a falta de seu amigo e se agitar. Isso aconteceu até que Flat não mais retornou.

O Grande Oceano se revoltou com o esquecimento de seu amigo e passou a ficar agitado perto do Continente, ele passou a invadir e retornar das praias em busca de Flat e, lembrando do encantamento de seu companheiro pelos cabelos de Ondara, passou a formar com sua água, formas que copiavam os cabelos da bela moça.

Até hoje o Grande Oceano busca por seu amigo, quando a saudade é muito forte ele se agita e revolta em grandes ressacas e quando ele por algum motivo se distrai, acontecem as calmarias. E, na tentativa de seduzir Flat, forma algumas das mais belas obras no mundo: suas ondas.

Por Pedro Henrique Reis

domingo, 28 de agosto de 2011

Recrutando Herois

Um anjo camarada diz pro cara antes dele nascer: "Fala mermão! Seguinte:


- Vc pode escolher alguns atributos especiais ou ficar na mesmice saúde, sanidade, boa família, boa situação econômica etc. Se vc escolher a mesmice, vai certamente ter uma vida tranquila, mas não vai ser desafiado. Por isso, provavelmente a sua história vai ser uma coisa simples e chata. Por outro lado, se vc optar por um atributo especial desses, você vai sofrer a bessa, mas vai ter a chance de fazer algo que entre pra História.


Cara prestes a nascer - Pô, meu camarada. Não tô afim de sofrer não. Além do mais, vai ser só uma chance. A probabilidade de eu pagar o preço e não levar é maior que a de eu conseguir alguma coisa real. Se eu tenho a opção de não trabalhar e não dar trabalho, prefiro assim.

Anjo - Cara, acho que eu tenho uma contraproposta. Que vc acha de ficar com uma habilidade especial pagando só com um pouco de cada coisa. Assim, vc não fica com a saúde perfeita, mas vai ter bastante saúde ainda. O mesmo para cada coisa: sanidade, boa família, condições econômicas etc...


Cara prestes a nascer - Nesses termos acho interessante. Aceito sim!


Anjo - Beleza então, mas tem um porém. Eu não posso te dizer o que é essa habilidade, tá? Além disso, você vai ter de praticar diversas coisas pra conseguir controlá-la e identificá-la. Você vai estar com ela desde o primeiro instante da sua vida, assim você não saberá o que é ver o mundo sem ela.


Cara prestes a nascer - Soa razoável. Vamo que vamo então!


Observando isso, uma Potestade e uma Virtude comentam entre si:


Virtude - Você acha mesmo que essa alma sabia que não há coisa como meia-saúde, meia-sanidade, núcleo familiar meio-bom ou situação econômica meia-boa quando se olha em termos de uma vida inteira?


Potestade - Sim. Isto é um pressuposto aqui. Todas sabem.


Virtude - Éh! Acho que acabamos de mandar nascer um líder nato ou mais um candidato ao Ébrio dos suicidas. Não aprovo quando Ele muda as diretrizes e manda um Querubim descer e fazer esse trabalho.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Se Ele fosse uma criança - diálogo 4 anos depois.


O Garoto conversa com seu tutor e guardião que o acompanha:

Um ar de angústia vem e parece que espíritos estão entoando inspiração. Mudanças acontecendo em todas áreas. A terra no chão abaixo dos meus pés parece se revolver como se sofresse um severo terremoto. No entanto, por mais assustador que seja, por mais assustado eu ache que vou ficar, não acontece nada.
Eu simplesmente permaneço sereno. É como flutuar sobre esse solo que mais parece um mar revolto. É como  se o bandido assustador, cruel e sanguinário simplesmente se tornasse insignificante, digno até de pena. O medo torna-se apenas um frio na barriga e, quando você olha para o desafiante no momento, ele aparenta se contorcer de terror em te ver e desaparece sem deixar vestígios. Imagine-se isso se sucedendo, com desafintes desaparecendo e outros surgindo em seus lugares imediatamente, e levando consigo o próprio cenário que também é substituído. Eu estou em vários lugares ao mesmo tempo, vivendo diferentes experiências. Minha mente prega peças em mim, dizendo-me que sou pessoas diferentes em locais diferentes, em tempos diferentes. Por mais loucura que tudo possa parecer, a essência não muda, não desequilibra, sequer balança. O caos não faz efeito sobre mim e não há esforço de minha parte para causar isso.
Meu poder mostra-se maior que minha identidade. Temo interferir na realidade sem querer, por estar perdido nessa confusão. Não estou seguro dos desdobramentos de um mero passo que eu venha a dar.

O guardião responde:

Andando com você nessas estradas há 4 anos, eu lhe vi crescer. Você no início era uma criança com o dom da Taumaturgia, e se divertia dobrando a realidade como se ela fosse um brinquedo. Hoje você não me dá mais tanto trabalho. Você amadureceu. Nós não só transitamos pelas trilhas que permeiam a Morávia, a Pérsia e os povos combatentes do extremo oriente. Nós viajamos por entre realidades e tempos diferentes, através da magia etérea da sua divindade aos poucos descoberta. Você foi criado para ser exatamente isso: o divino que perde a identidade, afim de vivenciar a experiência humana. Você está aprendendo. É por isso que se sente confuso. Seu criador também me escolheu por alguma razão. No início eu pensava: "Sou apenas um mortal. Como posso ser guardião e tutor de uma divindade?" Hoje compreendo que a resposta está resumida em meu nome: Hadriel. Nascimento e transformação são constantes. A morte é uma mera conclusão estática de uma maneira de pensar o que se percebe, mas que nós dois hoje sabemos ser simplesmente não real. Acho que seu próximo passo é apenas se reconhecer na essência de todas as coisas. Digo isso pois se você procurar descobrir quem é dentro de si mesmo, vai se perder no indiferenciado. Eis a essência da morte como conceito. Eu descobri quem sou por conviver e estar atento a você, por te ouvir e tentar compreendê-lo. Você pode ouvir e ver além do que os olhos humanos sequer imaginam. A própria essência das coisas está ligada a você. Você deve deixar que tudo se comunique com você, pois sendo quem é, de tudo você pode ter consciência. Isso lhe fará descobrir quem você é de verdade.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Um toque de romantismo...

Eu procuro você, de quem eu quero cuidar, mas que não prescinde do meu cuidado. Quero você, para te tocar com a arte de um poeta e recriar teu corpo em poesia. Quero te dar o beijo que vai te fazer morrer de amor e chorar de saudade quando eu partir. Quero você que é forte e corajosa, independente e sagaz, mas prudente o suficiente para ter medo. Quero te dar segurança, quero te dar paz quando o seu mundo cair sobre você, ser o colo que não te julgara quando você chorar.


 Eu te procuro por aí, em qualquer parte, onde eu esteja de verdade. 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Indicação de Artigo

Para quem deseja saber mais sobre como deenvolver um perfil de líder, segue uma dica....

Um Profissional Indispensável http://t.co/F7rm6O6


Carlos Alberto Lins Reis Junior   
carlos@strategy.com


sexta-feira, 4 de março de 2011

Fantasias de Carnaval

A senhora Avareza tenta me convencer o tempo todo de que aquilo que eu criei é parte de mim mesmo, logo não posso ceder. Ela é tão iteligente que às vezes é capaz de me convencer de absurdos, tão eloquentes são seus argumentos.

A Preguiça... ah... essa está sempre comigo! Tem um canto doce de sereia, um toque suave e um papo interessante que não tem fim. Mas é tão ciumenta que eu tenho que carregá-la nas costas para onde eu for.

A Soberba me torna um ser insuportável de se conviver. Quando ela está comigo, eu estou só.

A Gula me oferece um prazer ilusório, que custa o dobro do que vale.

A Cobiça é uma manipuladora maldita. Ela quer atenção só para si. As vezes ela me distrai tanto que eu não consigo ver as outras pessoas.

A senhora "Ira" eu trato com respeito, pois ela é capaz de me fazer esquecer de mim.

Eu gosto é da senhora luxúria, pois ela é uma vadia, devassa, que me trai, fode comigo, mas sempre me deixa feliz.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

"Se" - (De Rudyard Kipling)

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida. 

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exaustos, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste! 

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!

(Kipling, Rudyard - 1910)