The Shadow Hunter

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Keep it Simple

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Saga de Hadariel Zahav - Sem idéia para título

Nos arredores da cidade de Nahariya, no dstrito norte de onde é Israel, há muitos anos vivia um estrangeiro com grande reputação de influenciar positivamente o comportamento de crianças e jovens. Cidadãos vinham vinham conversar com ele em sua varanda e apreciavam profundamente a sua compania. Com o tempo, tornou-se comum que sua casa ficasse repleta de jovens e crianças, que vinham até ele para conversar e conviver.

O estrangeiro nunca saia de casa. Os jovens se encarregam de cuidar de pequenas tarefas e de mantimentos que ele porventura necessitasse. Inúmeros jovens perambulavam pelos aposentos, quintal e jardim, desempenhando os mais variados tipos de tarefas, desde regar plantas, varrer, consertar algum objeto ou parte da casa.

Desde que Kalil Marsiev, um ex-membro que se casou e mudou-se para Jerusalém, decidiu levar a cabo uma das conversas com o estrangeiro, os jovens criaram no quintal uma espécie de campo de treinamentos marciais. Eles têm feito isso a anos. A conversa teria sido a respeito do porquê dos homens faziam guerra e o que poderia significar um cofronto físico. O estrangeiro haveria sugerido que se os jovens quisessem compreender a guerra, que seria interessante se pudessem vivenciá-la em sua forma mais primitiva, em circunstãncias protegidas. Talvez, se fizessem isso, pudessem a compreender a natureza humana por olhá-la de uma nova perspectiva, à partir da prática de ter de administrar as próprias emoções, em uma situação simbólica de crise, na qual ser ineficaz simbolizaria a morte.

Hadariel Zahav é um dos discípulos do estrangeiro, por assim dizer. Desde os seus cinco anos ele tem o costume de passar o dia na casa desse senhor, integrando-se à rotina do local. Seu pai, um caixeiro viajante que volta à cidade a cada duas semanas, raramente o vê. Sua mãe falecera após o parto do segundo filho, o qual morreu no terceiro dia de vida, de uma febre pestilenta. Hadariel desde então foi sendo alimentado e acolhido por vizinhos e pelo estrangeiro, desde que o conheceu. Nas noites em que as demais crianças iam para casa, ele conversava com o estrangeiro na varanda e, quando este se retirava, ele dormia em uma pequena rede de fios de lã. Durante o dia, ele raramente ficava lá com as crianças de idade próxima a sua. Quando não estava executando alguma tarefa, apreciava ficar no pátio de treinamento. No início, ele podia apenas observar os mais velhos. Fez amizade com alguns, pois não podendo partipar num primeiro momento, cuidava de bucar água, manutenir alguns dos equipamentos e materiais como epadas de madeira, almofadas de impacto, bonecos, entre outras coisas. Acabou por aprender a confeccionar sua própria espada de madeira. Quando o fez, os rapazes gostaram tanto do resultado que prometeram lhe deixar praticar com eles, se confeccionasse uma espada daquelas para cada um.

Ele levou duas semanas trabalhando na pequenina oficina improvisada nos fundos do pátio, do nascer até o por do sol. À noite, ele manteve sua rotina de conversar e cuidar do estrangeiro. Como durante estas duas semanas os rapazes do pátio de treinamenmto não o houveram visto, eles já haviam começado a achar que o garoto tinha desistido e ido brincar com as crianças da sua idade. Eles ficaram surpresos quando o garoto apareceu arrastando um saco de grãos praticamente do seu tamanho de dentro da pequena oficina improvisada. Imediatamente todos pararam o que estavam fazendo e se dispuseram a cercar Hadariel.

O mais velho entre os membros se chamava Sahid Al-Hanan, um jovem filho de uma família de artesãos de barro tradicional da cidade. Foi este rapaz quem conteve a multidão que ameaçava arrancar o saco das mãos do garoto.

- Parem! Deixem o garoto em paz! Afastem-se para que ele possa expor o que carrega. - Disse, Sahid.

O jovem era muito respeitado entre os praticantes no pátio, não somente por ser o mais velho, mas por sua maturidade, liderança e exímia habilidade com a espada.

Hadariel estava muito assustado. Com sua pequena estatura, ele se sentiu indefeso. Em meio a uma multidão de adolescentes gritando, empurrando e puxando a saca de pano que ele segurava e defendia para que não fosse rasgada e seu conteúdo esparamado pelo chão. Sahid chegara em tempo. O garoto já estava sentado no chão, quase largando a sacola e com os olhos cheios de lágrimas.

O garoto então se levanta com a ajuda de Sahid e começa a desatar as amarras da sacola. Quando ele a abre, pega uma das espadas de madeira e lê alto o nome de um dos jovens. O respectivo dono então se aproxima e recebe seu presente. Hadariel escrevera o nome de cada um dos jovens, cada um em sua respeciva espada de madeira. Ele procurou adornar e balancear cada peça conforme o tipo físico, estilo e características de cada um dos praticantes, que observara enquanto passava seus dias no pátio. Ele leu o nome e entregou uma espada de madeira para cada um dos jovens que estavam ali no pátio, até que a sacola esvaziasse. Ele havia feito um molde a partir de sua própria espada de madeira. Deixou ambos guardados na oficina.

Por fim, Sahid se aproximou do garoto e com um leve sorriso terno e maroto disse:

- Fez um excelente trabalho hoje, Hadariel. Você é bom de fazer espadas, mas será que sabe usar uma?

Dito isso, Sahid joga sua espada de madeira para o garoto. Então, formalmente e sem tirar o sorriso peculiar de seu rosto, ele posiciona as mãos na frente de seu corpo em um tipo de guarda de mãos vazias.

- Me ataque, vamos? - Disse, Sahid.

Hadariel ficou paralizado em uma exitação permanente. Ele temia ao mesmo tempo desrespeitar, apanhar e ser humilhado. Um medo extremo, como ele nunca houvera experimentado o dominou naquele instante. Os outros jovens aos poucos foram tomando posição como se estivessem em um teatro. Lágrimas começaram a brotar nos olhos do garoto. Sentia vergonha. Como as pessoas ali estariam vendo ele? O que estariam pensando? Um garotinho desafiando o membro mais antigo do pátio !? Além disso, aquele olhar... Ele não podia atacar uma pessoa por quem tinha tanto apreço. Não podia e não conseguiria, pois tinha a legítima sensação de que qualquer movimento que fizesse seria facilmente dominado.

- Eu não posso - disse Hadariel, largando sua espada.

Então, Sahid impetuosamente salta e começa a golpear o garoto no peito. As pessoas de fora notam de imediato que os golpes eram medidos. No entanto, dada a pequenina estatura infantil de Hadariel, eles deslocavam-no para trás e, nitidamente, lhe feriam e causavam dor. O menino irrompe em lágrimas e sem ter por onde fugir, começa a tentar de toda maneira chutar, socar e se desvencilhar dos golpes. Sahid, quando viu que o garoto começou a lutar de volta, começou a dar pausas em seus ataques, as quais eram preenchidas por uma onda de investidas furiosas do garoto. Depois de alguns segundos, era Hadariel quem estava investindo contra Sahid. Este, por sua vez, começou a derrubar o garoto em cada uma destas investidas. O sorriso, sempre em sua expressão e, ainda mais luminoso, demonstrando, além da ternura, um fascínio pelo desempenho dequele pequeno rapazote que lhe atacava fervorosamente.

Passados mais alguns instantes, um segundo rapaz entra na frente de Sahid e investe contra Hadariel com uma espada de madeira. Este pôde apenas se esquivar e olhar assustado. Sahid estava posicionado atrás do novo oponente de Haradriel, de braços cruzados e sorrindo interessado. Uma voz chama o garoto pelo nome, vinda da direita. Era uma das crianças que normalmente ficavam na varanda com o estrangeiro. A esta altura todas estão ao redor do pátio. Ela havia pegado a espada de madeira de Sahid do chão e, no instante em que Hadariel a notou, arremessou-a para que ele a pegasse. Quase que instantaneamente após ele agarrá-la no ar, seu oponente lhe desferiu um golpe no braço. O garoto urra de dor, mas conseguiu mantê-la em suas mãos, enqunto se afastava. O jovem mais velho espera. Então, Hadariel grita e parte em sua direção com a intenção de golpear-lhe a cabeça. O jovem dá um passo suave para frente, golpeia de leve o garoto na barriga, em seguida no braço, terminando por bandá-lo com um curto movimento de joelho e puxando suavemente calcanhar. Com as costas no chão, os braços feridos e o corpo totlmente exausto, Hadariel luta, mas não consegue se levantar. O jovem então o observa, faz uma sutil referência e abandona o centro da roda. As pessoas começam a se dispersar, cada uma voltando à sua rotina. O garoto, tonto e exausto, deita a cabeça no chão e fecha os olhos por alguns instantes.

***

Sahid pede a alguns jovens que ajudem o garoto e vai de encontro ao estrangeiro, que estava dentro de casa observando tudo por uma janela que dava para os fundos. Ele se aproxima e gesticula em sutil reverência.

- O garoto tem espírito. Acho que tem talento. O que o senhor acha? - pergunta Sahid.

- O que você achou nele que tanto lhe facina, meu jovem?

- Não sei dizer... Há nele uma espécie de vazio de intenção. Não é como as outras crianças. Ele não quer se destacar entre elas para obter respeito. Ele simplesmente quer praticar conosco. Parece que ele já compreende o que estamos fazendo sem fazer idéia. Para ser sincero, ele simplesmente parece ver através, como se o único sentido que as coisas fizessem para ele fosse exatamente o que nós tentamos fazer com que os outros compreendam.

- Então, meu rapaz, acho que você já sabe o que precisa saber.

- Obrigado.

- Tenho algo a dizer... Ele andou observando e praticando. Ficou tentando copiar postura de vocês. Ele não compreende os quatro fatores e os cinco elementos. Aliás, não faz idéia, mas já leva alguma coisa com ele. Quando você praticou com o garoto, observei que mesmo com a agressividade patente, ele permanecia ansioso. Isto provavelmente é um sinal claro desse talento que você percebeu nele.

- Como assim?

- Você sabe, Sahid. Indivíduos em fúria não submetem suas ações ao medo. Ansiedade é uma espécie de medo. Este garoto sofreu uma experiência severa, da qual possivelmente nunca saberemos a respeito, mas isso fez com que ele se constituísse com um certo desprezo pela vida. Não que ele não aprecie viver, mas certamente ele não teme a morte. Para ele isso é algo comum, ordinário, natural.

O estrangeiro disse suas ultimas palavras da conversa gesticulando uma despedida sutil e virando-se para entrar. Sahid permaneceu ali, pensativo por algum tempo. O garoto seria o mais jovem praticante no pátio, no dia seguinte. O restante era incerto.

***

Em extrema exaustão, Hadariel é ajudado a levantar por três adolescentes.

- “Vamos, você não está tão machucado assim” - Disse um rapaz de cabelos negros e barba rala, que devia ter por volta de quinze anos. - “Muito prazer, meu nome é Ibrahin Haddad. Estes são Joseph e Raj Hakim. Pare de choramingar. Você precisa se limpar e descansar um pouco.”

O garoto, ainda incerto de se conseguiria pronunciar alguma palavra sem começar a chorar, não responde e aceita a ajuda dos novos camaradas. De pé, ele logo nota que não está faltando nenhuma parte em seu corpo. No máximo, o peito e os braços estavam um pouco doloridos, mas nada insuportável. O seu maior incômodo era a sensação de estar todo sujo de terra.

Os rapazes o conduziram para fora do terreno do estrangeiro, para uma espécie de fonte em uma área coberta de uma casa que ficave bem próxima. Aquela era a residência da família Hakim. Joseph, o mais velho, conduziu a caminhada. Os muros brancos, pintado a cal, como as demais casas cercavam o lugar. A parte interna do terreno mais parecia um quintal murado. Na parede dos fundos havia um ornamento em cerâmica com um cânulo pelo qual águas vertiam constantemente. No centro havia uma espécie de jardim suspenso muito bem cuidado. No canto próximo à porta havia uma mureta e o chão era calçado de mármore. Almofadas ficavam dispostas por ali. O lugar era aconchegante e, aparentemente, pertencia a pessoas mais abastadas. Logo que chegaram, Joseph anunciou:

- Bem vindo à humilde residência de minha família, pequeno Pinyin. Sinto não convidá-lo a entrar desta vez. Não que eu não aprecie a sua compania, mas por que você está todo sujo de terra. Temos uma fonte de água salobra aqui, como pode ver. – Enquanto ele falava, seu irmão Raj caminhou por uma porta à esquerda da fonte.

- Raj foi buscar vestes limpas para você. Por favor, fique à vontade. Ibrahin e eu o estaremos esperando lá dentro assim que terminar.

Joseph e Ibrahin caminharam em direção à porta. Logo que se aproximaram, Raj aparece trazendo panos brancos dobrados e uma moringa. Ele coloca os panos na mureta e estende a muringa à Hadariel, indicando amistosamente que era para que ele bebesse desta. Então, vira-se e corre para seguir os outros que entraram.

Hadariel, diz um “obrigado” para as costas de Raj e aproxima a moringa das narinas. Percebe que o conteúdo é água. Coloca-a sobre os lábios e toma um longo gole. O suor e a terra em seu corpo começam a se fazer mais presentes e, quando começa a pensar em derramar conteúdo da moringa sobre o corpo, ele olha para o lado e se interessa pela fonte na parede de cerâmica. Despe-se e caminha até ela. Observa que há um lugar para os que vêm até ela se sentarem sob a água e outros três, para aqueles que apenas desejam se ajoelhar para lavar mãos e rostos antes das orações. O som da água lhe entretêm e convida. Ele entra na àrea coberta de água e se banha calmamente nas águas salobras.

***

Ibrahin, Joseph e Raj sentam-se à uma pequena mesa redonda no aposento da casa, que dava para o jardim onde estava Hadariel:

- Ele parece ser boa pessoa. Gostei muito da espada que ele fez para mim – Diz Raj, enquanto vasculha alguns potes em um canto, próximo a uma grande estante.

- Ele é muito estranho. Quase nunca o vejo falar. Um garoto da idade dele deveria querer brincar com as outras crianças e rir de vez em quando – Retruca, Joseph.

Raj encontra o que estava procurando. Ele apanha uma cuia na estante ao seu lado e a mergulha em um grande pote. Quando o puxa lá de dentro, tráz a cuia cheia de sementes esverdeadas com uma espécie de palha marrom. Ele trás a cuia para o centro da mesa, senta-se, apanha um punhado e coloca na boca, mastigando vorazmente. Joseph o observa ternamente, divertindo-se com os modos do irmão.

Ibrahin, pensativo, pega uma moringa e preenche alguns copos que estavam sobre a mesa. Depois que serve o último, diz:

- Ele é uma criança, mas acredito que é uma daquelas que passaram por maus momentos. Por esta razão é que eu acho que ele parece nunca sorrir. Ele é um bom garoto. O estrangeiro gosta dele de verdade. Sahid gosta dele e se propôs a treiná-lo. Além disso, ele parece não se esforçar para se humilde.

Ibrahin então bebe do copo, pende a cabeça para o lado e continua:

- O barulho da água voltou ao normal a algum tempo. Olhem pela janela.

Ao dizer isso ele já se levanta. Os outros dois o seguem. Quando olham pela janela, observam que Hadariel estava fazendo suas preces, já limpo e vestido, na pequena sacada de mármore, onde ficavam as almofadas e tapeçarias. Ele verificou que os tapetes próximos às almofadas estavam todos virados para a mesma direção e cocluiu apropriadamente que estavam ali com o fim de indicar a posição da cidade sagrada. Os três jovens, assim que o viram, sairam para juntar-se a ele. Completaram as orações e ficaram a conversar ali até o sol começar a se por.

***

Hadariel agradesce pelo banho, pelas vestes novas e pela comida que os irmãos Hakim lhe proporcionaram. Agradesceu aos três, ainda mais profundamente, pelo zêlo que tiveram para com ele depois do “confronto” no início da tarde. Ele então se despede e retorna à casa do estrangeiro, caminhando diretamente para a varanda.

O homem já estava lá, sentado em sua cadeira, observando o horizonte serenamente. Seu mero semblante era uma espécie de lição para Hadariel. Parecia-lhe que nada poderia perturbar a paz nitidamente perceptível no olhar daquela pessoa. Em princípio, o estrangeiro lhe pareceu distraído. Seus olhos não se desviavam do horizonte, mesmo quando o garoto entrou na varanda.

- O que achou da luta hoje cedo? – Pergunta o estrangeiro, ainda sem desviar o olhar do horizonte.

- Senti-me humilhado, desrespeitado e agrdido.

- Você está magoado com seus oponentes?

- Eu não sei...

- Hummm... não sabe. Você acha que deveria estar?

- Acho que sim. Eles me bateram sem motivo. O que eu fiz contra eles?

- Isso não é importante, pequeno Pinyin. O que importa é o que você faz com o que eles fizeram com você.

- Sinto que faz algum sentido, mas não sei dizer se entendo.

- Hoje você teve seu primeiro dia como praticante.

_____________***______________

Hadariel Zahav começou seu treinamento com aproximandamente dez anos de idade, no ano de 1170. Ele se tornou um prodígio devido à sua paixão pela prática da arte da espada. Aprendeu alguns ofícios durante a adolescência ao trabalhar na pequena oficina nos fundos do pátio de treinamento. Sabia um pouco o ofício de carpinteiro e o de ferreiro. Sua natureza reservada e servil lhe rendeu um respeito carinhoso das pessoas da cidade. Fez muitos amigos e desenvolveu uma relação muito próxima com o estrngeiro e alguns dos jovens colegas de treino.

Muitos dos praticantes iam ficando adultos e seguindo caminhos diferentes. Rumores de guerra começaram a se passar e muitas pessoas quando podiam partiam de Israel, tementes de ser envolvidas nas batalhas.

No ano de 1180, um nobre francês, Reinaldo de Chatillon, perturbou as rotas de comércio e peregrinação muçulmanas com uma frota no Mar Vermelho, uma rota marítima que o sultão do Egito, Síria e Palestina, Salah Al-Din, necessitava manter aberta. Como resposta, este construiu uma frota de trinta galés para atacar Beirute em 1182. Reinaldo ameaçou atacar as cidades sagradas de Meca e Medina. Em retribuição, Salah Al-Din cercou Al Karak, o forte de Reinaldo na Oultrejordain, em 1183 e 1184. Sahid mudou-se para Jerusalém nesta época.

O Jovem Hadariel já tinha completado 23 anos quando o estrangeiro faleceu. Apesar de ter meuitos amigos na cidade, o rapaz não conseguiu deixar de sentir-se completamente só no mundo desde então. Ele passou alguns meses recluso. Até mesmo a prática marcial ele preferia executar sozinho.

Nos últimos três anos antes de sua passagem, o estrangeiro havia começado a fazer algo inusitado. Ele comecou a praticar a espada com o jovem. Os dois se reuniam muito cedo, todos os dias no pátio, antes do sol nascer e das pessoas se levantarem. Nestes três anos, o estrangeiro transmitiu a Hadariel uma arte peculiar, baseada em princípios de estratégia. No primeiro ano, eles sequer usavam armas. No segundo e no terceiro ano, as armas que eles usavam eram totalmente diferentes dos modelos islãmicos e europeus. A cimitarra não fazia mais parte do universo de Hadariel, apesar de sem dúvidas ele continuar sendo um exímio espadachim.

A casa do estrangeiro havia adquirido vida própria. Mesmo após sua morte, os jovens e crianças continuavam a vir ao local. No entanto, no lugar de um velho senhor sentado na varanda, eram os jovens mais velhos que contavam as estórias e conversavam sobre os valores, conduta e humanidade. O pátio continuava ativo, com novas gerações de praticantes a cada ano. Até mesmo a oficina tinha seus novos adeptos. Hadariel era o mais antigo membro presente da casa, na época da morte do estrangeiro. No enterro compareceram várias pessoas da cidade e de outras que puderam ser avisadas em tempo. Quem mais chorava pela perda do amigo eram as crianças.

O jovem ficou sem saber o que fazer. Sentia um vazio irreparável. Uma solidão profunda e incomensurável. Ele não conseguia compreender a o razão pela qual estava no mundo. Tudo à sua volta estava distante. Sua mente, intranquila. Ele havia se acostumado a rezar as cinco vezes por dia em direção à Meca. Fazia o jejum no mês do Ramadã, cumpria com excelência as regras de vida de um muçulmano comum, até mesmo sendo reconhecido como tal, mas ele se sentia diferente. Ele sentia que no seu íntimo desprezava as recompensas prometidas àqueles que se entregavam à fé. Não tinha desejos. No presente momento, sentia apenas um vazio profundo e questionava-se se no fundo não era um homem descrente e amaldiçoado.

Depois das semanas em que ele passou recluso, as quais coicidiram com o mês do Ramadã, ele decidiu que deveria partir em peregrinação à cidade sagrada. Nada mais o predia a Nahariya.

3 comentários:

Adda Dias Braga disse...

Tenho acompanhada a saga! Espero que surjam novas idéias e vc siga em frente! Estou gostando! Não deixa de visitar o meu Convés, não! Vc é sempre muito bem-vindo!Bjs, La Pirata

Blog de Carlos Reis disse...

Obrigado pela paciência de ler esse post gigante, Adda. :)
Essa daí é mais uma das minhas coleções de histórias inacabadas. rs
Beijão

Danille disse...

Enfim li esse post! rsrsrs
Acehi um texto muito aprazível, por conta da suasriquezas de detalhes, principalmente nas descrissões dos lugares e das coisas.
Trechos que mais gostei e que me fizeram lembrar de vc em alguns aspectos, seguem abaixo.
Grande beijo
“Você sabe, Sahid. Indivíduos em fúria não submetem suas ações ao medo. Ansiedade é uma espécie de medo. Este garoto sofreu uma experiência severa, da qual possivelmente nunca saberemos a respeito, mas isso fez com que ele se constituísse com um certo desprezo pela vida. Não que ele não aprecie viver, mas certamente ele não teme a morte. Para ele isso é algo comum, ordinário, natural.”

“ O que achou da luta hoje cedo? – Pergunta o estrangeiro, ainda sem desviar o olhar do horizonte.

- Senti-me humilhado, desrespeitado e agrdido.

- Você está magoado com seus oponentes?

- Eu não sei...

- Hummm... não sabe. Você acha que deveria estar?

- Acho que sim. Eles me bateram sem motivo. O que eu fiz contra eles?

- Isso não é importante, pequeno Pinyin. O que importa é o que você faz com o que eles fizeram com você...”

“O jovem ficou sem saber o que fazer. Sentia um vazio irreparável. Uma solidão profunda e incomensurável. Ele não conseguia compreender a o razão pela qual estava no mundo.”


"No presente momento, sentia apenas um vazio profundo e questionava-se se no fundo não era um homem descrente e amaldiçoado."